quinta-feira, novembro 20, 2008

crónicas de Pedro Paixão - reflexão sobre

"Só tu me fazes dizer as coisas que te digo. Estou à tua espera. Quando chegares vou-te morder devagarinho. Só até fazer doer. Agora, para que o tempo passe, vou escrever o que passa pela minha cabeça. É então assim.
Eu sou um menino, tu uma menina. Um menino é em tudo diferente de uma menina e em tudo semelhante. Isto é a primeira complicação. Como todas as outras derivam desta e resumem-se nesta não vale a pena perder tempo com mais complicações.
Restam as coisas simples. São as mais belas. Por exemplo o haver uma pessoa que goste de outra. Isto é o mais belo de tudo o que há no mundo por mais que se procure por todo o lado. O que é que quer dizer uma menina gostar de um menino ou um menino gostar de uma menina? Quer dizer: fazerem tudo um pelo outro. O tudo é que pode ser maior ou mais pequenino. E o que quer dizer um menino gostar de uma menina que também gosta desse menino? Isso é o fim do mundo.
De vez em quando, muito de vez em quando, há o fim do mundo. O mais engraçado é que ninguém nota. O menos engraçado é que ninguém aprende. Isto é: ninguém sabe nem como começa nem como acaba, nem como se repete. Para dizer a verdade nem se sabe como dura um fim do mundo em que duas pessoas podem fazer tudo, são tudo, sem mais ninguém. Não está bem.
É por isso que há os amigos. Os amigos sobrevivem aos fins do mundo. Este é o único critério. A amizade é tão bonita como o amor e tem a obrigação de durar mais tempo. Por aqui se vê que o tempo é muito importante. E o que é que dura mais tempo? É a família. É mesmo a única coisa que dura do princípio ao fim. Porque o pai só é pai quando tem um filho e o filho só é filho quando tem um pai e assim é como se fosse o filho a criar o pai. Isto parece muito complicado mas é muito simples e portanto muito belo. e por aqui se entra na religião.
()
A vida não é uma sucessão de pequenos fins mas sim uma sucessão de pequenos milagres e não digo mais nada até tu chegares para te começar a morder. Só, só até doer."

Pedro Paixão

Ora pois, na minha refelxão, adequa-se a muito do que penso, sinto sobre o tema.
Que os amigos ficam, e os amores e as paixões vão e vêm…

Que o amor ou a paixão pode acontecer em qualquer momento de uma pessoa em relação a outra, mas que a vida é feita de encontros e desencontros e que, infelizmente, estes estádios de amor/paixão entre duas…raramente ocorrem em simultâneo.

Que saber esperar não é uma virtude da grande maioria das pessoas hoje em dia. Quer-se o imediato. Eu sinto, ele não sente…mas será que não sente? Ou sou eu que não vejo a forma dele sentir? Porque queremos que falem a nossa linguagem e não procuramos conhecer o outro e a forma como comunica? O egoísmo grassará por aí ?!…
E por isso as relações não duram, os casamentos acabam.

Que também amor é distinto de paixão. Que paixão é um estado hormonal e o amor é verdadeiramente emocional.
Que o amor pode nascer do enamoramento, porque se gosta de outro, te empenhas em conhecê-lo e vais gostando cada vez mais, vais ganhando um carinho maior e o amor vai crescendo.

Em tempos, num casamento, o Padre dizia que quando lhe aparecem casais jovens a dizerem que estão apaixonados e querem casar, que eles lhes diz que voltem quando se amarem um ao outro… Isto pode ilustrar o meu pensamento.

Isto daria panos para mangas…muitas mangas

3 Comments:

Blogger Paula Raposo said...

Gosto do Pedro Paixão e desta reflexão. Concordo contigo também e é um assunto que daria pano para muitas mangas. Assim vai correndo a vida entre paixões, amores, começos e finais porque raramente se está em sintonia...muitos beijos.

20/11/08 10:49 da manhã  
Blogger Círculo Literário said...

Adoramos seu espaço!!Os contos sao ótimos!!
"A Vida é um Combate que aos fracos abate e aos fortes conduz..."

20/11/08 6:37 da tarde  
Blogger piu said...

Ainda bem que aparentemente gostaste disto :) Tem razão a tua reflexão...no fundo o amor precisa de ser re-inventado todos os dias. O melhor, é que sabe sempre a um milhão de estrelas a explodir...o pior, é que muito poucos têm a paciência que isso requer. O importante? Acreditar sempre :)

24/11/08 10:54 da manhã  

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